8 de junho de 2018

Artigo • Pra você, o que é literatura?

A literatura está em toda parte e cabe a nós nos apropriarmos de seus aspectos que mais nos interessam para construirmos novas ideias, ampliarmos nosso vocabulário, otimizarmos nossas habilidades relacionadas à interpretação de texto e darmos asas à imaginação, exercitando a criatividade e originalidade que mora dentro de nós. Por ser um conceito muito amplo, cada pessoa possui dentro de si o seu posicionamento acerca do que é literatura e qual a importância que a mesma possui em suas vidas. Mas e pra você... o que é literatura? :)

Apesar de não haver apenas uma definição para explicar o que é literatura, podemos tomar como exemplo as palavras da escritora e professora Nelly Novaes Coelho, compreendendo que "literatura é Arte, é um ato criador que, por meio da palavra, cria um universo autônomo, realista ou fantástico, onde os seres, coisas fatos, tempo e espaço, mesmo que se assemelhem aos que podemos reconhecer no mundo concreto que nos cerca, ali transformados em linguagem, assumem uma dimensão diferente: pertencem ao universo da ficção." Ainda podemos destacar mais uma inspiradora definição, agora de Salvatore D'Onofrio, que nos diz que "a literatura é uma forma de conhecimento da realidade que se serve da ficção e tem como meio de expressão a linguagem artisticamente elaborada". Pensando nisso, entendemos que a literatura é desenvolvida através de palavras que criam universos novos que, apesar de não poderem ser comprovados historicamente, passam a existir em uma linguagem artística. É uma ficção baseada na realidade. É algo que não necessariamente aconteceu, mas que poderia ter acontecido.


A literatura possui inúmeras funções e é essencial para manter uma língua viva. Além de propiciar a criação e conservação de um idioma (pois permite que um dialeto seja divulgado, praticado e exercitado), também vai além dos conceitos de linguagem e propicia conhecimento de mundo para o leitor, uma vez que se torna possível conhecer épocas e realidades completamente diferentes da vivida hoje através de 28 séculos de textos que eternizam nossa história e cultura. Além disso, a literatura também permite que o leitor aplique as experiências e aprendizados dos personagens das histórias que lê em sua própria vida, aproximando assim esses dois universos paralelos das palavras e do leitor. Também é uma forma de expor questões sociais, nos fazendo ter contato com temas existenciais e de interesse universal, como problemas enfrentados pela sociedade. É por esses e outros inúmeros motivos que indiscutivelmente não existe povo sem literatura.

Todos os textos escritos no mundo são literatura – o que os diferencia uns dos outros é a linguagem aplicada. O texto literário é ambíguo e utiliza uma linguagem artisticamente elaborada, repleta por metáforas, sugestões, subjetividade e figuras de linguagem, enquanto o texto não literário tem caráter denotativo e é objetivo, direto, com a única missão de transmitir uma mensagem sem enfeites. O texto literário não se preocupa somente em traduzir um significado, mas também o sentido, a sensação, as imagens e o sentimento que uma palavra ou ideia trazem consigo. É mais detalhado, íntimo e profundo. Exemplificando, podemos classificar como texto literário uma poesia, e como texto não literário uma notícia de jornal. Ainda assim, todos os textos são literatura e nenhum é mais importante do que o outro, todos possuem seu papel e o que os diferencia é somente a linguagem utilizada.
Devido a tantos tipos diferentes de literatura existentes foi preciso criar uma classificação para organizá-los, e o responsável por isso foi Aristóteles, que em III a.C. apresentou a Teoria dos Gêneros, separando as obras em 3 gêneros literários: épico (representava o mundo exterior ao poeta e despertava admiração no leitor), lírico (representava o mundo interior do poeta e despertava emoção no leitor) e dramático. A prosa também possui seus próprios gêneros, que são divididos em romance, conto, novela e crônica.


A literatura Ocidental atual carrega consigo uma grande herança que a fez tudo o que ela é hoje. Sua origem se dá inicialmente com a literatura greco-romana, que surgiu devido à necessidade dos gregos de se manifestarem culturalmente (uma vez que a literatura era o reflexo de suas experiências vividas, retratadas nas poesias épica, telúrica e lírica) e desvendar os mistérios da humanidade (como nas histórias da mitologia para explicar o surgimento do mundo), e da necessidade dos latinos de se dedicarem ao culto do sentido espiritual da vida, voltando-se para a filosofia, letras e belas-artes.
A partir do século III d. C., a literatura greco-romana passa a ser substituída pela literatura romano-cristã. Com o tempo a A Era Medieval – ou Idade Média – vai consolidando-se num período muito importante da História e inicialmente se divide em duas fases: Alta Idade Média (do século V ao século XI) e Baixa Idade Média (do século XI ao século XV). A primeira fase também recebeu o nome de "idade das trevas", pois foi um momento em que a Europa viveu quase seis séculos paralisada culturalmente. Nessa época, o estudo se torna exclusividade dos clérigos e os mosteiros se tornam os únicos centros de ensino. A questão mais marcante dessa época é a propagação do Cristianismo, que também contribuiu para o surgimento das Cruzadas, movida por disputas religiosas onde cristãos expulsaram os muçulmanos da Europa. Esse acontecimento, por sua vez, contribuiu para a renovação da economia através do intercâmbio comercial, o que automaticamente também fez crescer a cultura e as artes. Todo esse desenvolvimento favoreceu um novo acontecimento na literatura, que foi o surgimento das cantigas (poemas cantados divididos entre lírico-amorosas e satíricas), e das novelas e romances de cavalaria, que narravam aventuras de cavaleiros (como por exemplo a obra Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda), cujo objetivo era propagar o Cristianismo na Europa.


Após essa fase, o surgimento da Era Moderna marcou o início do pensamento antropocêntrico do homem, uma vez que este estava se libertando dos ideais e dogmas religiosos e se colocando como o centro do universo. É dividida em quatro épocas principais:

• Época Clássica (se inicia no século XV e termina na 1ª metade do século XVIII). São pertencentes à essa fase a Renascença italiana (que foi marcada pelo renascimento da cultura greco-romana), o Barroco espanhol (que demonstrava o constante conflito do ser humano entre velhos e novos valores), o Neoclassicismo francês (que pregava uma revolução baseada no progresso do conhecimento humano) e o Arcadismo campestre (que buscava a simplicidade e a exaltação da vida no campo como sendo a ideal e mais feliz).

Época do Romantismo (se inicia na 2ª metade do século XVIII e termina na 2ª metade do século XIX). É representado pelo individualismo, subjetividade e liberdade de expressão, isenta de qualquer absolutismo (seja ele político, religioso, econômico ou social) e tem como principais características a melancolia, as emoções, o pessimismo, o mal-do-século e o "morrer por amor".

Época do Realismo (se inicia na 2ª metade do século XIX). Essa fase está ligada com o determinismo, o evolucionismo e o positivismo. Ressaltava a importância da realidade, do "mundo como ele é", e hostilizava o sentimento ultrarromântico da época anterior.

Época do Simbolismo (se inicia na última década do século XIX). Caracteriza-se pela concepção mística do mundo em sua maneira íntima e particular, pelo conhecimento intuitivo e por vezes ilógico, pelo escapismo, musicalidade e pela "arte pela arte".


Essa foi nossa breve conversa de hoje ♥
Espero que tenham gostado e não hesitem em comentar suas expressões e me contar a sua visão do que é a literatura pra você. Até o próximo artigo!

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