10 de julho de 2018

Entrevista traduzida • Sarah J. Maas, da série Trono de Vidro

Ei, leitores! Turu bom? :)
A categoria de post de hoje é bem especial, e provavelmente se tornará comum por aqui. Estamos falando de entrevistas com autores estrangeiros extraídas de sites gringos e traduzidas por mim, especialmente para os leitores do blog. A personalidade entrevistada de hoje é a autora best-seller do New York Times Sarah J. Maas, criadora das séries Trono de Vidro e Corte de Espinhos e Rosas. Numa conversa sincera, Sarah contou aos leitores um pouquinho sobre seu processo criativo, sua escrita, o que a inspira e deu até conselhos para os jovens escritores do mundo. Confira agora!

O que te inspira a escrever? Há outros livros ou autores que influenciaram seus trabalhos?
Música – principalmente trilhas sonoras de filmes e música clássica – é a minha fonte principal de inspiração. Mas também me inspiro através de arte (adoro o Pinterest), filmes e televisão, viagens e história. Agora a respeito dos livros e autores que me inspiraram... Bem, há dois livros que li quando era mais nova que realmente despertaram minha paixão por ler e escrever fantasia: Sabriel, do autor Garth Nix (publicado no Brasil pela editora Rocco – compre seu exemplar clicando aqui) e The Hero and the Crown, da autora Robin McKinley (ainda não publicado no Brasil). Ambos me inseriram em maravilhosos mundos de fantasia, apresentando heroínas fortes e inteligentes. Há também um delicioso livro infantil do autor Robert Munsch chamado The Paper Bag Princess (também ainda sem publicação brasileira), que praticamente me moldou como ser humano desde o início (e que eu fiz meus pais lerem para mim um zilhão de vezes quando eu era criança).

Para aqueles que não leram a série Trono de Vidro, você poderia nos contar um pouco sobre ela?
Em poucas palavras, o primeiro livro – Trono de Vidro, é sobre uma jovem assassina infame a quem é oferecida uma única chance de liberdade em troca da participação em uma competição onde haverá um único sobrevivente, que se tornará o próximo assassino real de um império corrupto. Assim, os livros seguintes continuam a aventura partindo dessa premissa.

O que inspirou a personagem Celaena Sardothien, a heroína de seus romances?
Celaena meio que surgiu em minha mente no mesmo momento em que tive a ideia central da série, embora eu ache que ela também tenha nascido devido ao meu amor por Buffy, a Caça-Vampiros, Kill Bill, Han Solo do Star Wars e princesas da Disney, assim como do meu desejo por escrever/ler livros nos quais a heroína fique com toda a "parte divertida" do trabalho que geralmente os garotos costumam fazer: chutar traseiros, matar monstros e salvar o mundo.

Você mencionou anteriormente que Celaena é – enquanto uma personagem forte e hábil – meio que o elemento principal de uma "zona cinzenta" moral. Você poderia explicar melhor?
Bem, ela é uma assassina. Ela mata pessoas por dinheiro – e às vezes se diverte com isso. Ela sabe como torturar pessoas – e às vezes se diverte com isso também. Mas ela também ama ler, além de gostar de muito de música e arte, e acho que é justamente seu amor por essas coisas que permite que ela ainda mantenha sua humanidade – para enfrentar todo o treinamento horrível que ela passou quando era criança e todas as coisas terríveis que ela fez quando se tornou adulta. Então, ela é uma matadora treinado, mas com coração e um código moral – do qual ela às vezes desvia-se para conseguir o que quer (o que traz consequência desastrosas, algumas vezes). Sua constante batalha entre as camadas obscuras que carrega em si mesma e sua humanidade fez dela para mim uma personagem super divertida (e interessante) de se escrever.

A série é originalmente uma releitura da Cinderela – e você também foi co-autora de uma nova versão de 20.000 Léguas Submarinas. O quanto a literatura clássica tem influência em sua tomada de decisão ao trabalhar numa nova história?
Hum, não muito. Às vezes tenho novas ideias a partir de folclore e romances clássicos, às vezes não. Isso depende muito da história em si e de tudo o que me inspira no geral. Se uma história é inspirada por literatura clássica ou folclore, primeiro farei uma série de pesquisas sobre o tema, decidir quais partes quero manter e quais quero descartar e descobrir como posso adaptar essa história para meu estilo e torná-la minha. Às vezes eu mantenho poucas coisas, às vezes mantenho muitas. Mais uma vez, isso depende unicamente da história.

Fantasia é um gênero emocionante – você pode criar novos mundos por completo. Você tem algum conselho para escritores sobre a criação desses mundos? Como podemos ter certeza de que eles parecerão reais?
Pergunte-se várias coisas a si mesmo. Se um personagem está comendo certo tipo de comida ou vestindo certo tipo de roupa, pergunte a si mesmo de onde vieram essas coisas. Como eles conseguiram comer/vestir aquilo. Não precisa necessariamente explicar-se na página que está escrevendo, mas entenda as rotas, fronteiras dos reinos, a geografia, as estações, tempos de colheitas, etc., tudo o que lhe ajuda a expandir seu mundo. Lembre-se também de que a construção dos mundos e o desenvolvimento dos personagens frequentemente andam de mãos dadas: assim como você, seu personagem é um produto do mundo deles. Às vezes os detalhes mais subestimados do dia-a-dia podem trazer seu novo mundo e seus personagens à vida.

Você tem um conjunto de regras para seu mundo? Existe algum processo que a auxilia a definí-las?
Eu gostaria que assim fosse, mas na maioria das vezes tenho uma ideia, a escrevo, e se ela fizer sentido e conversar com aquilo que eu já tinha estabelecido (isso significa na maioria das vezes verificar se há algo equivalente àquilo no mundo real ou algo parecido), eu a mantenho. Se é algo absurdo e que jamais daria certo (coisas geralmente apontadas pelo meu crítico ou editor), eu a descarto. É bem simples.

Você publicou Trono de Vidro primeiramente no site FictionPress.com; por que você decidiu upar o primeiro capítulo no site ao invés de enviar a história completa a agentes literários?
Bem, isso foi em 2002, eu tinha dezesseis anos de idade e nem mesmo sabia se queria ter um livro publicado. Nem mesmo sabia que era capaz de escrever um romance inteiro de uma vez. Eu não tinha ninguém do meu convívio que lia ou escrevia fantasia, então eu só queria saber se a história valia a pena – se alguém quisesse lê-la. Acontece que muitas pessoas a quiseram ler. Mas ainda assim eu não considerei publicá-la até alguns anos depois – quando eu já tinha livros e mais livros escritos, e os fãs estavam me implorando para publicá-los.

Você adquiriu uma extensa rede de seguidores no FictionPress.com – você fez algum tipo de marketing ou autopromoção durante esses estágios iniciais, ou tudo aconteceu em grande parte através do boca-a-boca?
Bem, a internet era... diferente. Não tão grande, e as redes sociais de fato não existiam como hoje. Então, não – não realizei nenhum tipo de propaganda ou autopromoção. Toda essa coisa maravilhosa é resultado dos meus fãs incríveis espalhando a minha palavra.

Você acredita que o romance foi beneficiado tendo seu rascunho publicado na internet? Como você acredita que isso impactou no desenvolvimento da história?
Hum, eu acho que eu me beneficiei acima de tudo. Adquirir fãs e ouvir que as pessoas amaram a história deram àquela jovem escritora muita confiança – isso me permitiu acreditar em mim mesma, e acreditar que meu sonho de ser publicada poderia acontecer. Sem isso acho que não teria ao menos terminado a história.

Foram feitas algumas revisões no livro desde que você o postou na internet até a versão impressa publicada. Você achou difícil esse processo de edição?
Claro que sim. Creio que todo autor que está estreando acha difícil o processo de edição. Falando de mim, eu estava revisando Trono de Vidro há tantos anos sozinha (eu reescrevia o rascunho palavra por palavra, cortava e adicionava coisas novas e deixava o texto em pedaços antes de enviar para um agente) que trabalhar com meu editor foi ao mesmo tempo uma alegria e um alívio. Foi um trabalho muito duro, sim – mas eu cresço com os desafios e as ideias do meu editor sobre como melhorar a história foram brilhantes, e totalmente em conformidade com a história que eu sempre imaginei.

O que você diria aos leitores que estão publicando seus trabalhos por conta própria a respeito das vantagens e desvantagens disso?
Bem, há uma grande diferença entre postar em sites de fanfiction e a publicação em si por conta própria. Acho que sites assim são bons lugares para os aspirantes à escritores terem feedback a respeito dos seus trabalhos e se divertirem – desde que você se preocupe em proteger sua história dos possíveis plagiadores. Estou certa de que há toneladas de vantagens de autopublicar-se (no sentido de colocar seu trabalho à venda), mas se você também for seu próprio editor, isso também representa uma tonelada de trabalho, além de ser um pouco improvável que você veja seu romance numa prateleira de livraria. Por isso sempre recomendarei a publicação de obras do modo tradicional – é um caminho mais difícil e mais longo, mais certamente vale a pena.

Você usa bastante as redes sociais para interagir com seus leitores. Quão importante você acha que isso é para se tornar um escritor de sucesso?
Honestamente eu não faço ideia qual será o impacto a longo prazo que as redes sociais terão em minha carreira, mas sei que interagir com meus fãs online é uma das maiores conquistas que adquiri após ter sido publicada. Eu faço isso porque é divertido – pois eu gosto de falar com eles, ouvir suas impressões e ver os trabalhos artísticos que eles fazem. Se as redes sociais não te agradam, então não as utilize – muitos escritores não utilizam as redes socias e são super bem-sucedidos.

Finalmente, você tem algum conselho para os escritores?
Escreva o que você ama. Muitas pessoas vão lhe dizer que ter suas obras publicadas é um objetivo irrealista, ou o que você ama escrever não é literatura "de verdade", mas os ignore. Escreva o que você ama e nunca se desculpe por isso. É uma longa jornada até a publicação em si, mas isso é bom. Você só conseguirá isso se tiver uma história que ame com todo seu coração e alma, e a única pessoa que pode lhe fazer parar de escrever é você mesmo. Então escreva o que você ama, e que se dane o resto.


A entrevista original pode ser encontrada no site Writers&Artists, clicando aqui. A tradução foi realizada por Débora Castequini. Caso deseje publicar em seu blog com os devidos créditos, entre em contato conosco. Espero que vocês tenham gostado e em breve nos vemos em novas entrevistas!

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